eu comigo.

Vivo aflita sempre a procurar por uma explicação, um motivo de ser, um alívio íntimo. Dos meus dias só resta a contagem de cada um, os quais acompanhei minuciosamente à medida que avançavam os ponteiros. Nunca tive autoestima admirável, nem sequer a ambição de tê-la. Julgam-me a consciência e a decência que entendo ter construído. Não aceitam que me reconheça menor do que acham que eu deveria me reconhecer. Desejo ser pequena para poder me acompridar e ter um lugar para pertencer  .

Não sou hábil para as convenções, tampouco me esforço para ser similar ao meio em que estou. Só me orgulho de não ser medíocre e pobre de alma. Meus dias de dor me fizeram cada dia mais questionadora do que me vitima. À medida que tentaram me prender, me tornei mais livre, ainda que pensasse estar cada vez mais só e perto da loucura. Hoje sei que cada passo espremido contra o chão e cada gota de sangue doada, são partes do que me fizeram o maior orgulho de mim mesma.

*Pinturas de Carl Vilhelm Holsoe.
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Um pensamento sobre “eu comigo.

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