amar é não saber

A beleza e dureza dos sentimentos reside na sua indefinição. Como pode alguém ter a certeza de amar, quando ainda não sabe se existirão amores maiores que esse próprio amor? Se, no instante, esse torna-se o ápice do sentir, que nome poderá ser dado ao que for maior? É como estar diante de uma flor e conjecturar que ela seja a mais linda que existe, sem considerar as tantas outras flores nunca vistas que podem ser ainda mais bonitas que ela. É o conduzir de convicções baseadas em retrospectivas e evitar as possibilidades. Entregar-se imprudentemente à intensidade do incerto. No fim, o amor deve ser isso; abrir mão das possibilidades e entregar-se às certezas relativas que apenas o momento oferece.

Mais fácil que tentar entender aquilo que não pode ser entendido, é imaginar que amar é o verbo em mutação constante, barro cuja modelagem não tem fim, e que cria inúmeros formatos. Tanto a pessoa que o sente não é a mesma em todas as circunstâncias, quanto a que é alvo dele também não o é. Aquilo que nasce como sentimento, é o que não está debaixo do controle de nenhum dos envolvidos. O amor fica entre tudo isso, bem no meio. É o que acontece através da mistura do que é dado com o que é recebido. Constrói-se sem ser notado, apenas é sentido, e fica em cada instante sem poder ser capturado. Não deixa de ser uma urgência, é como poeta que escreve pela necessidade profunda de se vomitar, mesmo sentindo o penar de palavras nunca bastarem para acalmar o desassossego.

A certeza de algo só pode existir se ele for definido e pré-determinado, coisa que não alcança os sentimentos. Toda comparação de um amor para outro é vã. Não cabe. Amor é o nome que se dá para sentimentos efetivos sem explicação. Ainda que sejam menos efetivos que ontem, ou mais efetivos que amanhã. Que sejam menos duradouros ou menos intensos. Não deixa de ser amor por ser diferente. Apenas é, e ponto.

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Brenda Candeia.

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